27 junho — 26 julho 2026 — Parque Industrial da Feiteirinha · Aljezur
O Teatro de Palha regressa, depois de um ano de interregno, atravessado por uma pergunta simples: o que fazemos com aquilo que pesa? Com o peso das memórias, das histórias, dos afectos, dos objectos, das paisagens e do próprio tempo.
Feito de palha, luz, vento e noite, este teatro efémero volta a erguer-se em Aljezur como um lugar de encontro e transformação. Durante algumas semanas, artistas e públicos partilham músicas, filmes, refeições, corpos em movimento e histórias vindas de diferentes geografias, procurando talvez maneiras de carregar juntos aquilo que o mundo tantas vezes torna difícil sustentar sozinho.
Há neste programa figuras em fuga, crianças que descobrem o mundo, comunidades deslocadas, objectos que ganham vida, músicos que atravessam culturas e paisagens humanas marcadas pela memória e pela resistência. Há concertos onde os ritmos se misturam como territórios vivos, filmes que interrogam a violência política e ecológica do presente, e espectáculos onde o humor, o absurdo e a ternura se tornam formas de continuar.
O ciclo de cinema, com curadoria de Candela Varas, volta a atravessar esta edição. Dos futuros inquietantes de Arco às memórias políticas de O Agente Secreto passando pelo apelo pacifista de John Lennon e Yoko Ono em One to One: John & Yoko, os filmes propõem diferentes formas de olhar o mundo e aquilo que nele permanece profundamente humano.
A Orquestra do Algarve devolve ao cinema mudo de Buster Keaton o diálogo antigo entre imagem e música ao vivo. Terrakota e a Orquestra de Jazz do Algarve lembram-nos que a música pode ser um lugar de travessia, mistura e liberdade. Em 400 gramas para partilhar, cozinhar e comer tornam-se gesto artístico colectivo. E em Chão de Meninos, a infância reaparece como força de imaginação capaz de reinventar o espaço e o mundo. O teatro, a dança e o novo circo trazem-nos corpos em desequilíbrio, humor, poesia e estranhas formas de beleza, como em Par le Boudu, Barolosoul’O ou People.
Construído mais uma vez com a cumplicidade de agricultores locais e imaginado por Pedro Quintela, o Teatro de Palha continua a afirmar-se como uma arquitectura sensível e temporária onde arte, território e comunidade se encontram - talvez para lembrar que aquilo que pesa também pode ser dançado, cantado, partilhado e transformado em experiência comum.
— Lavrar o Mar